quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Núcleo de Educomunicação da USP envolve 11mil cursistas



Segundo Fernando Rossetti, que coordenou pesquisas acerca dos conceitos de Comunicação, Educação e Participação (CEP), o Núcleo de Comunicação e Educação da Universidade de São Paulo (NCE/USP) é o trabalho que vem sendo desenvolvido que mais se destaca no âmbito da Educomunicação. Em seu desenvolvimento, o Núcleo oferece consultorias principalmente nas redes de ensino, chegando atingir 11 mil cursistas (professores e alunos) de 455 escolas da rede municipal de São Paulo, com o projetoEducom.rádio

Esse destaque deve-se à transformação das práticas Educomunicacionais. Em novembro de 1999, o núcleo levou o conceito da Educomunicação ao Ministério da Educação (MEC), que antes designavam atividades pontuais e subsidiárias nas bordas dos sistemas de comunicação ou de educação, e hoje segundo Fernando define-se como o planejamento, implementação e avaliação de conjunto de processos, programas e produtos. Tais ações desenvolvem-se em contextos destinados a criar e fortalecer ecossistemas comunicativos abertos e criativos. Esse processo pode acontecer em espaços educativos, formais ou não formais, mediante à gestão democrática dos recursos da informação, tendo como meta o pleno exercício da cidadania, garantido pelo reconhecimento do direito à expressão.

O projeto que começou em São Paulo foi estendido em 2005 e 2006, através do MEC, para a região Centro Oeste, ocasionando uma lei estadual do Mato Grosso que garantiu, no início de 2008, a universalização da experiência para todas as escolas do estado. Neste mesmo período, em São José dos Campos (SP), houve acriação o Centro de Referência em Educomunicação do Vale do Paraíba, a partir do qual 30 professores e 150 estudantes da fundação difundem o conceito para toda a região.

O trabalho da USP diretamente com o Governo Federal se desenvolveu em três ações: a primeira, com o Ministério do Trabalho e Emprego (Projeto Geração Cidadã,em Embu das Artes, SP, para 2 mil adolescentes e jovens), a segunda, com o Ministério do MeioAmbiente(workshops e assessoria para discutir o conceito de “educomunicação socioambiental”) e, finalmente, uma terceira com o MEC (programa de educação continuada Mídias na Educação,  no qual foram produzidos módulos sobre o tema do rádio e oferecida tutoria para mais de 3 mil cursistas do estado de São Paulo).

O NCE associou-se ao Jornal da Tarde do Grupo Estado, entre 2006 e 2007, publicando no caderno “Pais & Mestres”, tratando de temas Educocomunicaticos. O NCE celebrou também parceira com o Ministério do Meio Ambiente, o Canal Futura, o SESC-SP e oInternationalInstituteofJournalismand Communication de Genebra, Suiça.

Atualmente o trabalho do NCE envolve principalmente divulgação de pesquisas acadêmicas de interesse para o campo CEP, discutindo metodologias de sistematização o de projetos eassessorias que contam com certificado da USP para cursos realizados conjuntamente.O NCE abre-se também para a promoçãode simpósios e congressos nacionais ou internacionais. Outro espaço em aberto é o da celebração de convênios para a criação de centros de referência em Educomunicação.

Educomunicação no Sertão Baiano


O Movimento de Organização Comunitária (MOC) é uma organização não governamental sediada em Feira de Santana (BA) que atua há mais de 40 anos na promoção do desenvolvimento sustentável do semiárido baiano. O MOC possui uma proposta pedagógica que se realiza através de sete programas: Água e Segurança Alimentar, Comunicação, Criança e Adolescente, Educação do Campo, Fortalecimento da Agricultura Familiar, Gênero e Políticas Públicas.

            O Programa de Comunicação do MOC, desde 2005, trabalha a comunicação comunitária nos Territórios Rurais do Sisal e Bacia do Jacuípe, através do fortalecimento das rádios comunitárias e da formação de jovens comunicadores aplicando a Educomunicação nas escolas do campo.

            Para trabalhar com os jovens do campo, o MOC desenvolveu o sistema próprio de educação que valoriza o sujeito do semi-árido nas suas múltiplas dimensões, trabalha a conscientização e a mobilização da comunidade em torno dos problemas de desenvolvimento, e promove uma concepção integral do ensino e da aprendizagem. A luta por uma política pública de educação do campo integral é defendida pelo MOC em parceria com universidades e movimentos sociais. Como resultado, 19 municípios da região já implementaram a metodologia do CAT (Conhecer, Analisar e Transformar) a Realidade do Campo, além de projetos como o Baú de Leitura e de Educomunicação no Campo.

Fazendo mídia de formas diferentes

            Em 2006, começou o trabalho de educomunicação em escolas da Região Sisaleira, sendo desenvolvido em escolas do campo da rede municipal, com participantes do projeto CAT nos municípios de Conceição do Coité, Valente e Retirolândia.

            Desde então, 58 pessoas, entre educadores e coordenadores, participam de oficinas de qualificação em práticas de produção e leitura de mídia nas linguagens de rádio e jornal. Como resultado dessa formação, os educadores desenvolveram nas salas de aula programas de rádio e boletins impressos.

            Os conteúdos das mídias produzidas pelos alunos falam da realidade local e busca estratégias de intervenção nas políticas públicas de seus municípios. Assim, a metodologia de educomunicação no campo tem contribuídopara a democratização da comunicação de uma região onde o acesso a meios diversificados é precário.

Resultados positivos colaboram com o crescimento do projeto

            Hoje, a alegria dos alunos das escolas rurais é esperar o intervalo para ouvirem a si mesmos nas rádios-escola. Nelas eles abordam notícias do ambiente escolar, da vida cotidiana das comunidades rurais, e expõem todo o talento e a desenvoltura dos meninos e meninas do sertão.

            O uso da comunicação nas escolas vem trazendo melhorias no processo de ensino-aprendizagem. As crianças são estimuladas na leitura de jornais e boletins, hábito pouco comum nessas comunidades, e decifram de forma mais crítica os conteúdos midiáticos que chegam até as suas casas. Os alunos estão mais atentos aos programas jornalísticos e costumam levar questões veiculadas na grande mídia para a sala de aula.

Diante dos resultados dessa experiência-piloto desenvolvida pelo MOC em três escolas do campo, do 1º ao 5º ano, a Secretaria Municipal de Educação de Valente se propôs a ampliá-la para todas as escolas do município. Atualmente, a equipe de educação do campo do município elaborou uma proposta para o Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação – FNDE, que, uma vez aprovado, garantiu a ampliação do projeto para as cinco escolas municipaisdo 6° ao 9° ano.

Na avaliação da equipe pedagógica do município, além do desenvolvimento das crianças e adolescentes que têm oportunidade de entender desde cedo a comunicação como um direito humano, os educadores estão orientando a produção de fanzines, jornais-mural, boletins, vinhetas e programas de rádio que vêm mudando a educação em Valente.

 


Muitos são os lugares para aprender

A Associação Cidade Escola Aprendiz, laboratório de pedagogia
comunitária, descreve seu espaço de atuação, projetos e conceitos aplicados
no texto: A Educomunicação no Bairro-Escola: fortalecendo o território e a
comunidade local. O objetivo é partir da ideia de educação como comunicação,
troca de experiências e aprendizado mútuo para expandir as técnicas de
ensino para além dos muros da escola.
 
Dessa forma, a entidade promove a continuidade das ações, sem
atrelar-se apenas no ambiente escolar. Aprender pela experiência é descobrir
uma nova forma de se relacionar com as pessoas ao seu redor e obter sentido
mais próximo de comunidade.
Além disso, os projetos estimulam uma postura mais ativa dos alunos-
cidadãos na sociedade do conhecimento contemporânea. A ideia da Agência
Comunitária de Notícias de Pinheiros é fazer com que os participantes se
envolvam com o processo de recepção, seleção, produção e transmissão de
notícias, de modo descentralizado e colaborativo. Com isso, o projeto fortalece
a comunicação local e propaga as informações locais, o que torna o bairro mais
conhecedor da realidade à sua volta.
A Cidade Escola Aprendiz também volta seus esforços para a formação
de educomunicadores nas instituições de ensino locais. Eles instruem
e orientam os professores a aplicarem as ferramentas de comunicação
com estratégicas pedagógicas dentro e fora de aula. O projeto é realizado
em parceria com a Rede CEP e com o Unicef, envolvendo cinco capitais
brasileiras
 

Transver

 
A Cipó – Comunicação Interativa com a educação pela comunicação,
na Bahia há nove anos, já formou mais de 10 mil pessoas envolvidas com as
instituições de ensino; envolveu em suas atividades mais de 300 organizações;
criou quase 400 publicações e realizou mais de 100 movimentos políticos.
No texto, Escola Interativa: para transver a Educação, a Cipó explica que
o termo e parte do processo de criação de conteúdo que confere sentido outro
à história local e trajetória pessoal, por meio da imaginação e envolvimento
subjetivo. O laboratório pedagógico proposto pela ONG desenvolve formas
e metodologias para trabalhar a educomunicação, dentre as quais eles
destacam: Escola Interativa; Estúdio Aprendiz; Sou de Atitude; Comunicação
para a Garantia de Direitos; Comunicação para Organizações de Sociedade
Civil e Cidadão de Papel.
Os projetos buscam, inserindo a comunicação na educação formal,
utilizando as tecnologias da informação, conscientizando politicamente os
jovens, qualificando as relações públicas das organizações ou encenando
temas de pertinência social, colaborar com a educação pública.
Com oito anos de existência, a Cipó expandiu seus projetos, agregou
maior número de comunidades, alunos, parceiros e colaboradores. No
entanto, também enfrentou problemas provenientes da carência do sistema
público de ensino, como falta de estrutura, descontinuidade do projeto
pedagógico e mudança de corpo docente. Mesmo assim, a ONG reafirmou seu
comprometimento com a promoção de uma metodologia própria e inovadora
para transformar o ambiente escolar.
Atualmente, ela volta suas ações para a incorporação dos programas
desenvolvidos nas políticas públicas locais, o que pode exercer impacto
em grande escala e promover significativos avanços. Para isso, realiza
mobilizações junto ao poder público, em parceria com outras instituições, como
a Rede CEP, propondo diretrizes que colaborem com a melhoria da educação
pública.

 

Luz, Câmera… Paz! nas Unidades

 
O projeto Luz, Câmera... Paz! nas Unidades é desenvolvido pela
Ciranda – Central de Notícias da Infância e Adolescência. Em seus dez anos
de atuação, a ONG trabalha com os direitos de meninos e meninas, pela
educomunicação e pelo jornalismo socialmente responsável. Com sede em
Curitiba, no Paraná, a Ciranda compõe a Rede CEP, a Rede Viração e a Rede
ANDI Brasil de comunicadores pela infância. Seus projetos beneficiam, em
média, mil crianças e adolescentes por ano e ajudam a multiplicar idéias a
cerca de 300 educadores.
As atividades da Ciranda buscam resgatar jovens que enfrentam
problemas com a justiça e são vítimas de violência precoce, ensinando-os a
manusear a câmera e contar sua própria história, protagonizar seu próprio

filme. O resultado alcançado é o retorno da auto-estima e dos valores pessoais.

Educomunicação e o uso das Novas Tecnologias


As novas tecnologias chegaram ao país e se espalharam com uma rapidez tão grande que nem nos assustam mais. É cada dia mais comum o acesso a internet e ao mundo virtual, o que causa espanto é que o gargalo do acesso a elas ainda existe em regiões do país. Apesar do crescimento da democracia virtual, continuam existindo muitas dúvidas sobre os impactos reais  dessas tecnologias na escola e sobre as formas de sua utilização.
Educomunicar, ou seja, trazer a comunicação ligada à educação pra dentro das escolas, não é somente utilizar um computador ou uma câmera digital em sala de aula. É integrar educadores e alunos no desenvolvimento de produtos de comunicação. Dessa forma, deve-se  permitir múltiplos olhares do plano pedagógico sobre a educação,  apropriar-se criativamente dos meios de comunicação,  integrar a voz dos estudantes ao “ecossistema comunicativo” (como definiu o espanhol radicado na Colômbia  Jesús Martín-Barbero)
Barbero define o ecossistema comunicativo como uma rede de compartilhamento de idéias  e conhecimento recíproco entre professores e alunos acerca da comunicação com intuito de transformar a educação e integrar os educandos no sistema midiático.
Concordando com Barbero, a Rede Cep acredita que o trabalho em educomunicação é fundamental para uma educação de qualidade. Uma educação que ignora os efeitos da comunicação e da mídia no seu contexto e não envolve a participação dos educandos na verdadeira construção de conhecimento deve ficar para trás.
http://www.youtube.com/watch?v=ri95nIYVeMo

Contribuição que a Rede Cep pode oferecer às Políticas Públicas

 
Atentar com profundidade a esses objetivos, entre muitos outros, é não relegar a segundo plano quem trabalha com mídia, como aconteceu nos anos 30 do século passado com o educador francês Célestin Freinet, que propôs trabalho com jornais escolares e foi expulso do sistema de educação formal.A Rede CEP quer que estados, municípios e escolas entendam essa dimensão do aprender e desejem estar perto da educomunicação. E que a União possa prover a eles o acesso às tecnologias e às práticas metodológicas. Isso tudo é fundamental para que o conceito de educação de qualidade não vire rapidamente também peça de museu, e tenha seu profundo e necessário significado esvaziado.
O Slogan da REDE CEP é: “fazemos educação, pela comunicação, usando a mídia, com muita participação”. Segundo os gestores da rede, a melhor forma de educar as gerações de crianças e jovens é possibilitar que entendam como funcionam os sistemas de informação. É garantir a todos o indispensável acesso às tecnologias.
O conceito de educomunicação é reconhecido, desta forma, pela busca do ideal de uma comunicação viva e plena, estando os educadores centrados na  promoção - e na consolidação, onde já existam - das oportunidades da fala, ou, em outras palavras, numa didática preocupada com a socialização dos recursos indispensáveis para que, na prática, seja evitado o monopólio da palavra.

Educomunicacao X TIC

O conceito de educomunicação se confronta com algumas das formas pelas quais são exaltadas as TIC – Tecnologias da Informação e da Comunicação, quando são apresentadas como solução para todos os males da educação tradicional (“educação moderna é aquela que faz usos das TIC”). Ou, ainda, quando são identificadas como recursos a serviço da performance do professor, independentemente da verticalidade ou horizontalidade de seu procedimento.
Confrontos da educomunicacao com a educação tradicional
A educomunicação confronta com o conceito de “funcionalismo” (teoria que cristaliza os papéis que  emissores e receptores exercem no espaço da produção cultural) e o “iluminismo” (teoria pela qual cabe ao sistema educacional sistematizar e transmitir conhecimentos)

Contraturno

Frente aos desafios inerentes à nova proposta governamental da “escola integral”, o conceito de educomunicação poderia a ser transformado num referencial seguro e promissor para os que ainda  vêem com dificuldade a incorporação do “contraturno” ao cotidiano da escola.Com a educomunicação, suas tecnologias e seus processos criativos de produção de cultura, toda escola se transformará num espaço de criação, em “meio período” ou em “período integral”.

Escola de vídeo - uma experiência de comunicação e educação

O Escola de Vídeo dá ênfase ao desenvolvimento do jovem como sujeito de iniciativas sóciopolíticas, utilizando estratégias pedagógicas para formação em três dimensões: humana, política e técnica
Busca ampliar as possibilidades de empoderamento e autonomia da juventude, que surgem como conseqüência de um trabalho baseado no acesso ao conhecimento tecnológico e na preparação do cidadão informado, crítico e criativo. A participação é o princípio fundamental e a autonomia e a pró-atividade são os resultados esperados dessa intervenção.O projeto empreende um processo de aprendizagem em consonância com o interesse e a realidade do seu público. Sua referência teóricometodológica parte de duas abordagens de cunho participativo e mobilizador – as pedagogias de Paulo Freire e Célestin Freinet.  Na obra do primeiro, é reconhecida a dialogicidade como princípio da relação entre educador e educando, na qual o eixo da comunicação é mais interativo e construtor de significados por e para ambos, na construção do conhecimento. Ainda em Freire, encontra-se correlação com a prática de incentivo ao posicionamento crítico frente aos diversos textos da comunicação social (mídia eletrônica, impressa, rádio, etc.), problematizando a realidade. No francês Freinet, o Auçuba reconhece respaldo teórico para sua prática do aprendizado pela experimentação.

O Açuba


Entre 2006 e 2008, o projeto passou a atuar a partir de uma base tecnológica no bairro da Bomba do Hemetério, abrigando as atividades de formação de adolescentes de sete comunidades do entorno para produção de comunicação e mobilização. Uma casa foi montada com equipamentos de informática, vídeo, rádio e fotografia. Hoje, o espaço é referência na comunidade e segue construindo alternativas de formação, de articulação política e mobilização comunitária
Em decorrência da avaliação dessa experiência, o Auçuba produziu e promoveu a distribuição do Kit Escola de Vídeo com o objetivo de difundir e socializar na rede pública suas estratégias metodológicas. O material, distribuído a partir de 1998, consta de CD-ROM, folhetos explicativos e a descrição metodológica para o uso do vídeo-debate, além de fita de vídeo

No entanto, é preciso dizer que o cumprimento dessa meta propiciou à equipe do projeto – até então jovens egressos do Núcleo de Produção, que atuavam como monitores desde 2002 – amadurecimento pedagógico para assumir a responsabilidade enquanto educadores e, na seqüência, responder pela condução do projeto tendo à frente da coordenação um desses jovens

http://www.youtube.com/watch?v=eycRHOv1FoU

Educomunicação: Entendendo o valores, aplicando comunicação e colhendo conhecimento


Compreendendo o alcance das novas mídias, e em destaque da internet, uma “nova” prática educativa vem se foralecendo . Essa parte do fato de que, na atualidade ,não só a escola, a família e a comunidade participam da construção de sentidos e valores para pessoas, principalmente
crianças, jovens e adolescentes, mas também, e de forma significativa, a televisão e a internet ( aqui podemos considerar principamente as redes sociais). E considera que utilizar esse meios para educar pode gerar resultados positivos.

O alcance que essas mídias tem, facilita a abordagem de temasimportantes para grupos, comunidade e regiões. Em sua maioria, as ações envolvendo educomunicação estão além da comunicação comunitária, mas também possibilitam o contato e uso das Tecnologias da Informação. Esse
facilita o processo de criação e circulação de informação. E numa cadeia gera cidadões mais conscientes que por sua vez se tornam mais críticos e assim também mais ativos.

Da mesma forma, gera a possibilidade do debate, que deve existir dentro da comunidade e que em geral não acontece, pela ausência de estímulo. Quer seja na conscientização, no debate ou mesmo na ausênciade recursos e suportes para expor aquilo que é vivido.

Neste contexto o livro “Educomunicar- Comunicação Educação e Participação para uma educação pública de qualidade” da Rede de Experiências em Comunicação, Educação e Participação (Rede CEP) apresenta nos capítulos “Oficina de Imagens: 10 anos de experimentação e iniciativas no campo da educomunição” e Educomunicação com Saúde & Alegria – Experiência da Rede Mocoronga em comunidades ribeirinhas na Amazônia projetos que tem aplicado a educamunicação, arte e cultura, comunicação comunitária, novas mídias e tecnologia da informação e possibilitado a comunidades brasileiras um outro olhar sobre sí ou sobre como são vistos.
Neste cenário surge a Oficina de Imagens- Comunicação e Educação(colocar de onde é) que trabalha a partir da experimentação de linguagens, no espaço escolar. O objetivo é desenvolver nos alunos uma formação cidadã crítica, para que possam produzir e veicular informações a partir do seu ponto de vista, da sua realidade.

Entendendo o alcance e as possibilidades dessas mídias a Oficina realiza “ações para a qualificação da cobertura realizada pela imprensa com relação aos direitos da criança e pelo fortalecimento da defesa deles”. Se destacam entre essas ações os projetos Latanet e JTTE- Jovens Interagindo.
Ambos projetos já foram diversas vezez premiados, mas o mais importante é entender como eles utilizam a comunicação e compreendem sua capacidade de alcance. Assim tratam de temas que precisam circular entre os grupos que alcançam.

A Oficina de Imagens participa de espaços de articulação da sociedade civil como forma de incidir em políticas públicas no campo da educação, da comunicação, da infância, da adolescên- cia e da juventude. Nos projetos que desenvolve, a instituição procura envolver os atores que são estratégicos naquele contexto, pois, somente as- sim é possível provocar as mudanças estruturais necessárias.

A educomunicação também é uma ferramenta que possibilita àquele que a pratica não só falar mas ter um contato mais crítico com outras mídias e entender seu papel num olhar macro. Possibilita que se entenda como são vistos ou tratados por outras mídias. É o que acontece com o acesso facilitado às informações externas e aos conhecimentos universais também estão sendo úteis aos ribeirinhos dos rios Amazonas, Tapajós, e Arapiuns.
Para a compreensão do contexto da Amazônia no mundo e para a melhoria da qualidade de vida e o exercício da cidadania.

A inserção dessas mídias nos locais supre também a carência dos educadores da região na área de tecnologia da informação.
Essas ações são pautadas pelo conceito de conhecimentos livres e produção colaborativa e isso garante que essas ações também não ultrapassem o limite da necessidades locais. É preciso um cuidado para não criar uma demanda que não existe. Dessa forma as metodologias pretendem
favorecer o aprendizado, a expressão, a educação ambiental e a valorização cultural, na ideia de preservar esses lugares, aproveitando seu potencial.
O desenvolvimento de ações como essas, adequadas às peculiaridades regionais e integradas à políticas públicas são forças que se somam no desafio de melhorar a educação no país.