quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Educomunicação e o uso das Novas Tecnologias


As novas tecnologias chegaram ao país e se espalharam com uma rapidez tão grande que nem nos assustam mais. É cada dia mais comum o acesso a internet e ao mundo virtual, o que causa espanto é que o gargalo do acesso a elas ainda existe em regiões do país. Apesar do crescimento da democracia virtual, continuam existindo muitas dúvidas sobre os impactos reais  dessas tecnologias na escola e sobre as formas de sua utilização.
Educomunicar, ou seja, trazer a comunicação ligada à educação pra dentro das escolas, não é somente utilizar um computador ou uma câmera digital em sala de aula. É integrar educadores e alunos no desenvolvimento de produtos de comunicação. Dessa forma, deve-se  permitir múltiplos olhares do plano pedagógico sobre a educação,  apropriar-se criativamente dos meios de comunicação,  integrar a voz dos estudantes ao “ecossistema comunicativo” (como definiu o espanhol radicado na Colômbia  Jesús Martín-Barbero)
Barbero define o ecossistema comunicativo como uma rede de compartilhamento de idéias  e conhecimento recíproco entre professores e alunos acerca da comunicação com intuito de transformar a educação e integrar os educandos no sistema midiático.
Concordando com Barbero, a Rede Cep acredita que o trabalho em educomunicação é fundamental para uma educação de qualidade. Uma educação que ignora os efeitos da comunicação e da mídia no seu contexto e não envolve a participação dos educandos na verdadeira construção de conhecimento deve ficar para trás.
http://www.youtube.com/watch?v=ri95nIYVeMo

Contribuição que a Rede Cep pode oferecer às Políticas Públicas

 
Atentar com profundidade a esses objetivos, entre muitos outros, é não relegar a segundo plano quem trabalha com mídia, como aconteceu nos anos 30 do século passado com o educador francês Célestin Freinet, que propôs trabalho com jornais escolares e foi expulso do sistema de educação formal.A Rede CEP quer que estados, municípios e escolas entendam essa dimensão do aprender e desejem estar perto da educomunicação. E que a União possa prover a eles o acesso às tecnologias e às práticas metodológicas. Isso tudo é fundamental para que o conceito de educação de qualidade não vire rapidamente também peça de museu, e tenha seu profundo e necessário significado esvaziado.
O Slogan da REDE CEP é: “fazemos educação, pela comunicação, usando a mídia, com muita participação”. Segundo os gestores da rede, a melhor forma de educar as gerações de crianças e jovens é possibilitar que entendam como funcionam os sistemas de informação. É garantir a todos o indispensável acesso às tecnologias.
O conceito de educomunicação é reconhecido, desta forma, pela busca do ideal de uma comunicação viva e plena, estando os educadores centrados na  promoção - e na consolidação, onde já existam - das oportunidades da fala, ou, em outras palavras, numa didática preocupada com a socialização dos recursos indispensáveis para que, na prática, seja evitado o monopólio da palavra.

Educomunicacao X TIC

O conceito de educomunicação se confronta com algumas das formas pelas quais são exaltadas as TIC – Tecnologias da Informação e da Comunicação, quando são apresentadas como solução para todos os males da educação tradicional (“educação moderna é aquela que faz usos das TIC”). Ou, ainda, quando são identificadas como recursos a serviço da performance do professor, independentemente da verticalidade ou horizontalidade de seu procedimento.
Confrontos da educomunicacao com a educação tradicional
A educomunicação confronta com o conceito de “funcionalismo” (teoria que cristaliza os papéis que  emissores e receptores exercem no espaço da produção cultural) e o “iluminismo” (teoria pela qual cabe ao sistema educacional sistematizar e transmitir conhecimentos)

Contraturno

Frente aos desafios inerentes à nova proposta governamental da “escola integral”, o conceito de educomunicação poderia a ser transformado num referencial seguro e promissor para os que ainda  vêem com dificuldade a incorporação do “contraturno” ao cotidiano da escola.Com a educomunicação, suas tecnologias e seus processos criativos de produção de cultura, toda escola se transformará num espaço de criação, em “meio período” ou em “período integral”.

Escola de vídeo - uma experiência de comunicação e educação

O Escola de Vídeo dá ênfase ao desenvolvimento do jovem como sujeito de iniciativas sóciopolíticas, utilizando estratégias pedagógicas para formação em três dimensões: humana, política e técnica
Busca ampliar as possibilidades de empoderamento e autonomia da juventude, que surgem como conseqüência de um trabalho baseado no acesso ao conhecimento tecnológico e na preparação do cidadão informado, crítico e criativo. A participação é o princípio fundamental e a autonomia e a pró-atividade são os resultados esperados dessa intervenção.O projeto empreende um processo de aprendizagem em consonância com o interesse e a realidade do seu público. Sua referência teóricometodológica parte de duas abordagens de cunho participativo e mobilizador – as pedagogias de Paulo Freire e Célestin Freinet.  Na obra do primeiro, é reconhecida a dialogicidade como princípio da relação entre educador e educando, na qual o eixo da comunicação é mais interativo e construtor de significados por e para ambos, na construção do conhecimento. Ainda em Freire, encontra-se correlação com a prática de incentivo ao posicionamento crítico frente aos diversos textos da comunicação social (mídia eletrônica, impressa, rádio, etc.), problematizando a realidade. No francês Freinet, o Auçuba reconhece respaldo teórico para sua prática do aprendizado pela experimentação.

O Açuba


Entre 2006 e 2008, o projeto passou a atuar a partir de uma base tecnológica no bairro da Bomba do Hemetério, abrigando as atividades de formação de adolescentes de sete comunidades do entorno para produção de comunicação e mobilização. Uma casa foi montada com equipamentos de informática, vídeo, rádio e fotografia. Hoje, o espaço é referência na comunidade e segue construindo alternativas de formação, de articulação política e mobilização comunitária
Em decorrência da avaliação dessa experiência, o Auçuba produziu e promoveu a distribuição do Kit Escola de Vídeo com o objetivo de difundir e socializar na rede pública suas estratégias metodológicas. O material, distribuído a partir de 1998, consta de CD-ROM, folhetos explicativos e a descrição metodológica para o uso do vídeo-debate, além de fita de vídeo

No entanto, é preciso dizer que o cumprimento dessa meta propiciou à equipe do projeto – até então jovens egressos do Núcleo de Produção, que atuavam como monitores desde 2002 – amadurecimento pedagógico para assumir a responsabilidade enquanto educadores e, na seqüência, responder pela condução do projeto tendo à frente da coordenação um desses jovens

http://www.youtube.com/watch?v=eycRHOv1FoU

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