As novas tecnologias chegaram ao país e se espalharam com
uma rapidez tão grande que nem nos assustam mais. É cada dia mais comum o
acesso a internet e ao mundo virtual, o que causa espanto é que o gargalo do
acesso a elas ainda existe em regiões do país. Apesar do crescimento da
democracia virtual, continuam existindo muitas dúvidas sobre os impactos
reais dessas tecnologias na escola e
sobre as formas de sua utilização.
Educomunicar, ou seja, trazer a comunicação ligada à
educação pra dentro das escolas, não é somente utilizar um computador ou uma
câmera digital em sala de aula. É integrar educadores e alunos no desenvolvimento
de produtos de comunicação. Dessa forma, deve-se permitir múltiplos olhares do plano pedagógico
sobre a educação, apropriar-se criativamente
dos meios de comunicação, integrar a voz
dos estudantes ao “ecossistema comunicativo” (como definiu o espanhol radicado
na Colômbia Jesús Martín-Barbero)
Barbero define o ecossistema comunicativo como uma rede de
compartilhamento de idéias e
conhecimento recíproco entre professores e alunos acerca da comunicação com
intuito de transformar a educação e integrar os educandos no sistema midiático.
Concordando com Barbero, a Rede Cep acredita que o trabalho
em educomunicação é fundamental para uma educação de qualidade. Uma educação
que ignora os efeitos da comunicação e da mídia no seu contexto e não envolve a
participação dos educandos na verdadeira construção de conhecimento deve ficar
para trás.
http://www.youtube.com/watch?v=ri95nIYVeMo
http://www.youtube.com/watch?v=ri95nIYVeMo
Contribuição que a Rede Cep pode oferecer às Políticas Públicas
Atentar com profundidade a esses objetivos, entre muitos
outros, é não relegar a segundo plano quem trabalha com mídia, como aconteceu nos
anos 30 do século passado com o educador francês Célestin Freinet, que propôs
trabalho com jornais escolares e foi expulso do sistema de educação formal.A
Rede CEP quer que estados, municípios e escolas entendam essa dimensão do
aprender e desejem estar perto da educomunicação. E que a União possa prover a
eles o acesso às tecnologias e às práticas metodológicas. Isso tudo é fundamental
para que o conceito de educação de qualidade não vire rapidamente também peça
de museu, e tenha seu profundo e necessário significado esvaziado.
O Slogan da REDE CEP é: “fazemos educação, pela comunicação,
usando a mídia, com muita participação”. Segundo os gestores da rede, a melhor
forma de educar as gerações de crianças e jovens é possibilitar que entendam
como funcionam os sistemas de informação. É garantir a todos o indispensável
acesso às tecnologias.
O conceito de educomunicação é reconhecido, desta forma,
pela busca do ideal de uma comunicação viva e plena, estando os educadores
centrados na promoção - e na
consolidação, onde já existam - das oportunidades da fala, ou, em outras
palavras, numa didática preocupada com a socialização dos recursos
indispensáveis para que, na prática, seja evitado o monopólio da palavra.
Educomunicacao X TIC
O conceito de educomunicação se confronta com algumas das
formas pelas quais são exaltadas as TIC – Tecnologias da Informação e da
Comunicação, quando são apresentadas como solução para todos os males da
educação tradicional (“educação moderna é aquela que faz usos das TIC”). Ou,
ainda, quando são identificadas como recursos a serviço da performance do
professor, independentemente da verticalidade ou horizontalidade de seu
procedimento.
Confrontos da educomunicacao com a educação tradicional
A educomunicação confronta com o conceito de “funcionalismo”
(teoria que cristaliza os papéis que emissores
e receptores exercem no espaço da produção cultural) e o “iluminismo” (teoria
pela qual cabe ao sistema educacional sistematizar e transmitir conhecimentos)
Contraturno
Frente aos desafios inerentes à nova proposta governamental
da “escola integral”, o conceito de educomunicação poderia a ser transformado
num referencial seguro e promissor para os que ainda vêem com dificuldade a incorporação do
“contraturno” ao cotidiano da escola.Com a educomunicação, suas tecnologias e
seus processos criativos de produção de cultura, toda escola se transformará
num espaço de criação, em “meio período” ou em “período integral”.
Escola de vídeo - uma experiência de comunicação e educação
O Escola de Vídeo dá ênfase ao desenvolvimento do jovem como
sujeito de iniciativas sóciopolíticas, utilizando estratégias pedagógicas para formação
em três dimensões: humana, política e técnica
Busca ampliar as possibilidades
de empoderamento e autonomia da juventude, que surgem como conseqüência de um
trabalho baseado no acesso ao conhecimento tecnológico e na preparação do
cidadão informado, crítico e criativo. A participação é o princípio fundamental
e a autonomia e a pró-atividade são os resultados esperados dessa intervenção.O
projeto empreende um processo de aprendizagem em consonância com o interesse e
a realidade do seu público. Sua referência teóricometodológica parte de duas
abordagens de cunho participativo e mobilizador – as pedagogias de Paulo Freire
e Célestin Freinet. Na obra do primeiro,
é reconhecida a dialogicidade como princípio da relação entre educador e
educando, na qual o eixo da comunicação é mais interativo e construtor de significados
por e para ambos, na construção do conhecimento. Ainda em Freire, encontra-se
correlação com a prática de incentivo ao posicionamento crítico frente aos
diversos textos da comunicação social (mídia eletrônica, impressa, rádio,
etc.), problematizando a realidade. No francês Freinet, o Auçuba reconhece
respaldo teórico para sua prática do aprendizado pela experimentação.
O Açuba
Entre 2006 e 2008, o projeto passou a atuar a partir de uma
base tecnológica no bairro da Bomba do Hemetério, abrigando as atividades de formação
de adolescentes de sete comunidades do entorno para produção de comunicação e
mobilização. Uma casa foi montada com equipamentos de informática, vídeo, rádio
e fotografia. Hoje, o espaço é referência na comunidade e segue construindo
alternativas de formação, de articulação política e mobilização comunitária
Em decorrência da avaliação dessa experiência, o Auçuba
produziu e promoveu a distribuição do Kit Escola de Vídeo com o objetivo de
difundir e socializar na rede pública suas estratégias metodológicas. O
material, distribuído a partir de 1998, consta de CD-ROM, folhetos explicativos
e a descrição metodológica para o uso do vídeo-debate, além de fita de vídeo
No entanto, é preciso dizer que o cumprimento dessa meta
propiciou à equipe do projeto – até então jovens egressos do Núcleo de
Produção, que atuavam como monitores desde 2002 – amadurecimento pedagógico
para assumir a responsabilidade enquanto educadores e, na seqüência, responder
pela condução do projeto tendo à frente da coordenação um desses jovens
http://www.youtube.com/watch?v=eycRHOv1FoU
http://www.youtube.com/watch?v=eycRHOv1FoU

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